Associação traz empresários chineses visitar Trás-os-Montes

Alberto Carvalho Neto é presidente da Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC). Criada há três anos e com sede em Mirandela, tem cerca de 550 membros, 20 deles transmontanos. O jovem empresário do sector do azeite entende que os pequenos produtores devem promover os artigos em conjunto e apostar em nichos.

Jornal Nordeste (JN) – A AJEPC foi criada em 2012. Qual o balanço da atividade desenvolvida até agora?

Alberto Carvalho Neto (ACN) – A associação foi criada por um grupo de jovens que tinha a mesma missão e que chegou à conclusão de que para trabalhar num mercado tão vasto e competitivo como a China tínhamos de criar uma estrutura que nos identificasse, ajudasse a promover e a baixar custos para conseguirmos estar lá de uma forma muito mais forte e coerente em termos de crescimento. Desta forma, conseguimos ultrapassar determinadas dificuldades e chegar a esferas a que sozinhos nunca conseguiríamos.
Quando criamos a associação começamos a ter uma identidade, que seria um braço da promoção de Portugal na China. A associação foi crescendo e permitindo mobilização de mais gente, de mais recursos, e os resultados foram aparecendo e traduzem-se em negócios, se bem que alguns são difíceis de quantificar. A grande força da associação, não diria que têm sido os negócios, mas sim a promoção e o potencial que andamos a fazer até agora. 

JN – Quais os objectivos da associação e como é feito o apoio às empresas?

ACN – Associação tem base na China e em Portugal, tem como missão ajudar os empresários tanto portugueses, como chineses a interagirem. Os associados podem ter identificação de quem está do outro lado, por vezes acontecem “negócios da china” e temos de fazer um filtro, perceber se as pessoas são sérias e representam a empresa. Permite também estar lá fora a custos muito mais baixos, porque estamos integrados, conseguimos fazer eventos em conjunto e dar apoio na parte logística e na parte da informação.
Há potencial, mas ainda temos de trabalhar muito mais para dar o salto que gostaríamos.

JN – Por que motivo escolheram Mirandela para estabelecerem a sede da AJEPC? Estar no Interior traz dificuldades à associação?

ACN – A direcção e o grupo fundador somos alguns transmontanos. Na altura estava-se na dúvida se seria em Lisboa ou Porto e eu sugeri porque não Trás-os-Montes? E acabámos por ir para Mirandela.
Não temos encontrado problemas por estar sediados em Mirandela, tem corrido bem, mostra bem a nossa capacidade de integração no Interior. Temos tido a capacidade de trabalho em conjunto com outras associações, trabalhando em cooperação e mostrando o melhor que Portugal tem lá fora.
Em termos de benefícios para os empresários da região não tem tido um envolvimento directo. Mas o facto de a associação ter sede em Mirandela tem-nos permitido trazer alguns empresários do sector do turismo a virem visitar Trás-os-Montes. Já foram para Bragança, Macedo, Chaves.

JN – Os empresários transmontanos têm sabido aproveitar o apoio da associação? 

ACN – Tenho ideia que sim, a questão é que a associação é multissectorial, enquanto nós transmontanos estamos muito ligados ao sector agro-alimentar, e para vender um contentor de alguma coisa temos um esforço muito grande. Há outros sectores dentro da associação, que estão ligados a sectores de investimentos, de logística, energias renováveis, e cada projecto deles é muito superior aos nossos contentores, que vamos mandando. De qualquer forma, temos trabalhado em conjunto e temos feito algumas exportações importantes.

JN – Quais as áreas de negócio que têm mais potencialidades para os empresários da região?

ACN – Tudo o que seja produtos regionais que tenham capacidade de adicionar valor, ou seja, de criar uma boa imagem e manter a qualidade do produto. Todos temos capacidade de estar num “corner” de uma loja de produtos de alta qualidade lá fora, a questão é que temos de trabalhar em conjunto, porque sozinhos não vamos a lado nenhum.
Temos de trabalhar em nichos, promovê-los muito bem e manter a continuidade. Com o aumento das encomendas podemos investir em infra-estruturas, redução de custos, aumento de produção e com o tempo irmos dar continuidade.
Acredito que a China e Macau podem ser uma porta para ultrapassar dificuldades internas, como qualquer mercado externo. 


Destaque: 
“É importante associarmo-nos, para termos um portefólio grande para os chineses perceberem o que Portugal produz.”

 

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in Jornal Nordeste, 27/03/15