Uma feira para fazer os produtos brilhar

 

A Feira de Produtos de Marca de Guangdong e Macau é usada pelas empresas como uma montra para cativar mais distribuidores ou ouvir as opiniões do consumidor final sobre os seus produtos. Às vezes, o tacto dos clientes ajuda os empresários do exterior a melhorar a imagem para investir neste lado do mundo. Nas bancas há quase de tudo. Portugal está representado por pelo menos 30 produtores através da AJEPC.

 

Às 11:30, pouco depois da inauguração, alguns dos expositores locais não tinham mãos a medir. A Feira de Produtos de Marca de Guangdong e Macau abriu as portas ontem a todo o gás. As bancadas dos produtos alimentares, alguns prontos a comer, eram as mais concorridas. Até domingo, na Doca dos Pescadores, é possível encontrar de tudo, como num mercado: desde carne assada, a produtos secos, almofadas, máquinas de sumos, ou vinhos e azeites com o selo português.

 

As empresas locais, da China Continental e os cerca de 30 produtores portugueses representados no certame, não têm como objectivo principal a venda ao consumidor final, mas o tacto de quem compra ajuda as empresas a refinarem os seus produtos. É com base nesta experiência que a Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC) se junta pela terceira vez ao certame.

 

“Esta feira tem dois pontos positivos muito fortes. Por um lado, temos a oportunidade de estar perto dos distribuidores de Macau e temos aqui três dezenas de produtores representados com os seus cartões e produtos (…) por outro temos o contacto directo com o consumidor final permite-nos ver qual é o interesse e como melhorar a imagem”, disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o presidente da AJEPC.

 

Com a participação na Feira de Produtos de Marca de Guangdong e Macau, alguns dos empresários portugueses absorveram o gosto oriental tendo investido na imagem das suas iguarias para que chegassem às diferentes prateleiras deste lado do mundo. “Temos aqui alguns casos. O azeite Vale da Fonte tinha uma imagem completamente diferente, mas foi melhorada e já consegue vender aqui. Também o mel, da Be Sweet, há dois anos não tinha uma imagem tão apelativa, mas hoje já é um produto gourmet, e esta ideia veio do contacto com os clientes que a Ana [a empresária] teve quando estive aqui. Apercebeu-se que não precisava de ter frascos tão grandes e acrescentou valor à imagem”, exemplificou Alberto Carvalho Neto.

 

O evento funciona, assim, para muitos empresários como um meio de expor os seus produtos, revezando-se para também conseguirem ter reuniões com alguns possíveis clientes fora do certame. “Aqui conseguimos ter uma plataforma, uma pequena montra, de exposição virada para o consumidor final e o distribuidor local, sendo que o nosso trabalho de casa é convidar também os membros da associação e não só de Foshan, Jiangmen (…) para virem à feira e desta forma criamos empatia o que é muito importante neste mercado”, indicou o presidente da AJEPC.

 

Um dos distribuidores de produtos portugueses na RAEM é a empresa Macao Son Fung, que tem à venda na feira alguns vinhos lusos, aos quais atribui uma alta pontuação. Marek Ng, gerente de vendas, afirma que os clientes chineses têm cada vez mais interesse no néctar português, uma vez que é um produto com bom preço para a qualidade.

 

“Vendemos vinhos de vários países, como França, Estados Unidos, mas neste momento focamo-nos nos portugueses, porque o preço é bom e o sabor também. Apresenta um bom equilíbrio e assim vendemos facilmente”, indicou Marek Ng, notando que no certame pretende que as pessoas provem os produtos para aumentar o interesse das potenciais empresas compradoras. “O meu objectivo principal aqui não é vender muito, mas deixar que as pessoas conheçam as marcas, provem, provem e provem”, referiu.

 

Também o presidente da AJEPC reconhece o crescimento dos produtos Portugueses na China Continental. “Nos últimos três a quatro anos cresceu-se mais rapidamente no mercado do Interior da China do que no de Macau, apesar da RAEM ser, para nós, a plataforma para a China, um trampolim, para onde convidamos também os empresários chineses”, indicou.

 

Contudo, Alberto Carvalho Neto considera que talvez estejam “a pecar um bocadinho”, já que assim “o crescimento de produtos portugueses em Macau não tem sido tão acentuado”, face à grande oferta do outro lado da fronteira. “Penso que se tem feito um trabalho positivo, não só a AJEPC mas também as outras associações de cariz português. Mas uma coisa é chegar às pequenas lojas outra é trabalhar directamente com os casinos e restauração em Macau, que são as empresas que movimentam volume. Por isso temos de trabalhar ainda mais em união para tentar chegar aos casinos”, reforçou.

 

Oportunidade para novos negócios

A Feira é também uma aposta para jovens que começaram recentemente a dar os primeiros passos em negócios originais. É o caso de Tracy Hui que participa pela primeira vez no evento. “Tenho uma nova empresa e decidi vir aqui para que as pessoas conheçam mais os meus produtos”, diz Tracy ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU exibindo os bolos caseiros que faz, alguns decorados com imagens.

Para a jovem empresária, que antes de abrir o seu negócio online já trabalhava na área da pastelaria, Macau oferece um bom ambiente para este tipo de trabalho, mas o valor avultado das rendas deita a perder o sonho de ter um espaço próprio. “Esta é uma boa oportunidade para discutir sobre esta indústria e para tentar encontrar um distribuidor. Neste momento tenho uma loja online, porque a renda é muito alta”, disse Tracy Hui na esperança de encontrar algumas lojas que queiram vender os seus produtos.

Já com alguma experiência no mercado de Macau, a Bester, empresa de Jiangmen, na província de Guangdong, deslocou-se a esta feira também pela primeira vez tendo em vista consolidar o negócio. “O Governo da província de Guangdong ajuda as empresas a introduzir os produtos de qualidade no mercado. Desta vez viemos a Macau, mas também vamos a outras regiões. Já temos aqui alguns clientes e queremos expandir o mercado”, referiu David Li, gerente de vendas.

Com vários tipos de luvas em exposição, a Bester espera conseguir conquistar mais restaurantes e hotéis. “Macau é uma cidade pequena, mas populosa, onde há muitos restaurantes que precisam deste tipo de material”, disse David Li notando que, para já, a RAEM representa apenas dois ou três por cento do volume de negócios da empresa. “Os nossos produtos são mais naturais e esperamos encontrar parceiros de negócios ou revendedores”, disse.

Nas bancas do certame é possível encontrar todo o tipo de produtos: malas, roupa interior, maquinaria, electrodomésticos, comida, objectos religiosos.

 

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in Jornal Tribuna de Macau, 31/07/15